Literatura está intimamente relacionada com práticas sociais. Nesse sentido, propomos uma gama de correlações entre as diversas manifestações literárias e a sociedade contemporânea. Assim, buscaremos no espaço social elementos que interajam diretamente com a arte literária.

Dessa forma, este blog objetiva analisar e expor elementos da realidade social, fazendo um contra ponto com a literatura e seus modos de encarar a realidade e a cultura das diversas épocas da sociedade.

Esperamos de você leitor a interação e a sugestão de novos temas, a discordância ou a concordância com as críticas aqui relacionadas, tendo em vista que pensar em Literatura não é apenas propor teorias literárias, mas sim promover a crítica à sociedade, tentando encontrar elementos que sejam favoraveis ou não à nossa formação enquanto leitores e apreciadores de leitura e cultura. Assim, este espaço é destinado aos professores de Língua Portuguesa e Literaturas, graduandos de Letras, alunos do nível médio e ao público que gosta de uma leitura crítica acerca dos assuntos que envolvam a sociedade.

Boas leituras!

sexta-feira, 7 de março de 2014

Dica de leitura

Pimentas

“Pimentas são frutinhas coloridas que têm poder para provocar incêndios na boca. Pois há ideias que se assemelham às pimentas: elas podem provocar incêndios nos pensamentos. Mas, para se provocar um incêndio, não é preciso fogo. Basta uma única brasa. Um único pensamento-pimenta…”. À luz dessa descrição se inicia a obra PIMENTAS   ̶̶̶̶̶  para provocar um incêndio, não é preciso fogo, publicado em 2012, por Rubem Alves. Esse livro é dividido em 74 crônicas sobre ideias, pessoas e pensamentos que incendeiam  a mente e levam a outras ideias, justificando assim o título da obra.
         Diante disso, os textos são fruto de reflexões do autor sobre assuntos variados do dia a dia,  cheios de detalhes e uma narrativa repleta de reflexões, recorrendo a mitos, filósofos, compositores e outros escritores a fim de promover, em grande estilo, pensamentos-pimentas sobre a sociedade e os diversos temas que nos rodeiam.


quinta-feira, 6 de março de 2014

De olho na escrita

Dica Gramatical

ESQUECER
Esqueci o presente. (VTD)

ESQUECER-SE
Esqueci-me dos presentes. (VTI)

Pronominal: Exige a preposição "de".

segunda-feira, 3 de março de 2014

Haicai de Paulo Leminsk

A vocês, eu deixo o sono.
O sonho, não!
Este eu mesmo carrego!

De olho na escrita

Dica gramatical

As expressões ao encontro de e de encontro a são bastante utilizadas no dia a dia, no entanto causam dúvidas quanto ao momento certo de emprega-las. Será que ambas estão corretas? O Que significa cada uma? Quando devo usar uma ou outra? Para não errar mais, veja a explicação abaixo.

Ao encontro de significa “estar de acordo com”, “em direção a”, “favorável a” e “para junto de”. Essa expressão é utilizada quando desejamos concordar com algo.

Exemplos:

  1. A proposta votada pela Câmara foi ao encontro da população. (A proposta foi favorável à população)
  1. Você deverá ir ao encontro da nossa turma o mais depressa possível. (Você deve ir para junto da nossa turma o mais depressa possível)
  1. Seu argumento vai de encontro à tese abordada pelo texto. (Seu argumento vai contra a tese abordada pelo texto)
  1. A decisão tomada pelos vereadores foi de encontro ao que havia sido reivindicado pela população. (A decisão foi contra a reivindicação da população)

De encontro a significa “contra”, “em oposição a”, “para chocar-se com”. Essa expressão é utilizada somente quando desejamos discordar de algo.
Exemplos:


domingo, 2 de março de 2014

Dica de Leitura

Diário do Farol
"Não se deve confiar em ninguém”. Assim começa o romance Diário do Farol, publicado em 2002 por João Ubaldo Ribeiro, que narra a autobiografia  de um faroleiro sem escrúpulos, dissimulado e determinado a se vingar de todos os que o prejudicaram na infância, a começar pelo pai. Diante disso, o enredo é contado pela ótica de um narrador sarcástico, que é a peça chave para prender a atenção do leitor em um enredo que revisita o período da Ditadura Militar; além disso, a obra apresenta uma linguagem de fácil compreensão e traço machadiano quando o narrador-personagem debocha do leitor pela escolha do livro. Em suma, Diário do farol traça um panorama do Brasil sob o olhar esquizofrênico de um filho de fazendeiro, perturbado com as relações sociais, familiares e amorosas. 

quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

Sobrou pra mim

Ilustração: Suppa
Ilustração: Suppa

Quando eu tinha uns 8 anos, mais ou menos, eu morava com minha avó e com a irmã dela, tia Emília. Nossa rua era sossegada, quase não passava carro nem caminhão.

Eu ia à escola de manhã e de tarde eu fazia minhas lições e ia pra rua brincar com meus amigos.

Às cinco e meia em ponto minha avó me chamava para tomar banho e rezar, minha avó e minha tia rezavam todas as tardes às seis horas.

Depois do jantar ficávamos na sala, eu, lendo, minha avó e minha tia bordando ou costurando.

Televisão a gente só via uma vez ou outra. Minha avó me deixava ver jogos de futebol ou basquete, mas tinha horror a novelas e a programas de auditório. Era chato de matar!

A luz era muito pouca, que a minha avó tinha mania de fazer economia, ela dizia que não era sócia da Light.

Então eu cansava de ler e ficava inventando outras coisas pra fazer. Eu ficava desenhando, ficava enchendo os ós do jornal, brincava com as minhas joaninhas…

Uma vez eu amarrei um fio de linha na perna de um besouro e quando ele voou, com o fio pendurado, minha tia levou o maior susto.

Uma outra vez, eu inventei uma coisa legal! Enquanto minha avó e minha tia ficavam rezando, às seis horas, eu amarrei um fio de linha na perna da cadeira de balanço. Depois do jantar nós fomos para a sala. Então, de vez em quando, eu puxava o fio e a cadeira dava uma balançadinha.

No começo elas não viram nada. Até que tia Emília, muito assustada, chamou a atenção da vovó.

- Ó, Amélia - minha avó se chamava Amélia - Ó, Amélia, você não viu a cadeira balançar?

Minha avó não ligou muito. Mas tia Emília ficou de olho. Daí a pouco ela cutucou minha avó:

- Olha só, Amélia, ainda está balançando. Minha avó olhou e ficou desconfiada.

As duas se olharam e fizeram sinais para não assustar o menino…

Naquele dia, eu não mexi mais na cadeira. Mas no dia seguinte, eu fiz tudo de novo, só a minha tia é que viu a cadeira balançar. Ela estava apavorada!

Então eu deixei passar uns dois dias e de novo dei uma balançadinha na cadeira. E dessa vez as duas velhas viram! Gente, que susto que elas tomaram! Me agarraram pela mão e correram para o oratório para rezar.

Até aí eu estava me divertindo! Mas o que eu não podia imaginar é que no dia seguinte, na hora em que eu costumava ir para a rua brincar, minha avó me chamou, me mandou tomar banho, me vestir e me levou para a igreja.

Nove segundas-feiras eu tive que ir à igreja com minha vó e minha tia para rezar pelas almas do purgatório!  
Conto de Ruth Rocha, ilustrado por Suppa

(ESCRE) VER-ME

nunca escrevi
sou apenas um tradutor de silêncios
a vidatatuou-me nos olhosjanelasem que me transcrevo e apago
souum soldadoque se apaixonapelo inimigo que vai matar
Fevereiro 1985
- Mia Couto